Ainda não se sabe. E talvez nunca se saberá se a entrada em vigor da nova lei da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) trouxe ou não benefícios para este país.
Eu, como mulher, senti que foi dado mais um passo importantíssimo na nossa liberdade humana. E nunca escondi o facto de ser a favor da IVG com limites equilibrados e sensatos. No dia 16 deste mês só me lembrei de que a lei tinha entrado em vigor quando cheguei ao meu local de trabalho. E nem sequer tive tempo para pensar um bocado nisso. Agora já tive. Os números vão surgindo: “Saúde24 recebe em média 25 chamadas por dia sobre a IVG”; “só na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, foram realizadas 44 interrupções da gravidez na semana passada”.
Mas será que alguém se vai lembrar dos números de mulheres que decidiram fazer um aborto e que depois, na fase de reflexão, desistiram? Será que alguém se vai dar ao trabalho se tentar perceber se as consultas prévias estão a funcionar com a atenção devida? Será que alguém já percebeu que as mulheres da Madeira estão pura e simplesmente a ser discriminadas à ‘cara podre’?Sou a favor da vida e de gravidezes desejadas, conscientes e felizes, para que sejam criados seres humanos desejados, consciente e felizes. E sou a favor da justiça, da liberdade de escolha e pela saúde.
No domingo passado, na ‘minha praia’, vi o C. e a C. Os dois, o casal simbiose dos tempos de escola secundária. O pai com o A. (com cerca de dois anos e meio) ao colo e a mãe barriguda. Ambos à espera de mais uma cria. São ambos mais novos que eu e enfrentaram sempre tudo e todos pela vida. Foi assim que fizeram e estiveram muito bem.